PERSONAGENS - A VIDA E ALMA DA HISTÓRIA
O primeiro passo para brincar de ser Deus
Toda e qualquer história sempre vai girar em torno deles, não importa quais sejam, podem ser homens, animais, plantas, objetos, espíritos. Seja lá o que for, não existe uma história sem um personagem.
Isso nos faz pensar uma coisa: então se quanto mais interessante e marcante ele for, melhor será a história? Sim e não. Muitas histórias ruins são sustentadas por personagens cativantes, e todas as histórias boas tornam-se obras-primas imortais graças à simpatia dos narradores, ou protagonistas e mesmo os coadjuvantes que a enriquecem ainda mais.
Mas existem as exceções, roteiros ruins podem não conseguir se salvar mesmo com um elenco interessante de personagens. Isso acaba gerando situações inusitadas como personagens que são eternamente lembrados por seus admiradores mas muitos não lembram a que série ele pertence. Um ótimo exemplo disso é o Kai do anime Beyblade, um personagem muito interessante dentro de um elenco de outros que são ofuscados por ele em uma história fraca que por muitas vezes se arrasta em clichês apenas pra não terminar de uma hora pra outra, dentro deste exemplo temos também Ben Reilly, o Aranha Escarlate, um dos filhos da tenebrosa Saga dos Clones, e ainda assim, um personagem extremamente carismático.
E têm também o oposto, personagens ruins salvos por roteiros primorosos. Mas vou falar sobre isso no momento oportuno.
Como desenvolver seu personagem
Criá-los não costuma ser difícil, já que geralmente os roteiristas criam seus personagens com base nas pessoas que vivem ao seu redor. Estudar livros de psicologia é muito útil, pois ajuda a desenvolver personagens mais verdadeiros e profundos, e não bonecos sem alma. O autor deve encarar seus personagens como parte dele mesmo, não só como peças para suas histórias, pois de uma forma ou de outra eles são como se fossem vivos e quem dita a rotina deles é você.
Bem, o mais importante antes de tudo é desenvolver os três princípios básicos do personagem: Ele psicologicamente (como pensa, como age, o que afeta sua interação com as pessoas a sua volta, o que ele respeita, admira e segue e porque, etc
); Ele fisicamente (suas altura e peso, aparência física, que roupas costuma usar, raça caso exista mais de uma, cicatrizes, tatuagens, barba, beleza, cabelo, cores, etc
) e Ele geograficamente (o lugar onde vive, como vive, como interage com esse cenário a sua volta, como ele é visto nesse lugar
). Esses três atributos são importantes principalmente pelo fato de que eles têm que obrigatoriamente estar interligados entre si, um deve fazer sentido no outro. O roteirista deve dedicar boa parte do seu tempo nisso.
Após isso deve se decidir outra característica importante, o passado. Após definir aqueles três atributos citados acima, o passado do personagem serve para torná-los coerentes. O passado do personagem pode ser crucial pro andamento da HQ. Já que uma porção de acontecimentos podem estar profundamente ligados com a historia de cada personagem do elenco. Existem também aqueles personagens sem um passado, ou com o passado desconhecido pelo próprio autor, que vai sendo criado e revelado aos poucos a cada edição, mas roteiros assim são extremamente complicados porque no segundo caso, além de desenvolver o passado aos poucos, o autor tem que se preocupar em não deixar transparecer que ele próprio não tem idéia do que está acontecendo. Mas quando bem-feitas, histórias com personagens assim tendem a fazer sucesso, principalmente pelo carisma que o personagem sem passado tem com os leitores.
As motivações dos personagens é outro ponto que deve ser observado com atenção pelo roteirista, ninguém vive sem motivações, são elas que nos fazem correr atrás daquilo que queremos, daquilo que é importante para que nossa vida tenha sentido. Dedique bastante de seu tempo a isso.
E outras coisas importantes para o personagem são: o que ele representa para a história, seus amigos, inimigos
O chamado elenco de apoio.
A descrição do personagem e de seu universo é conhecida como Briefing. Ele deve ser o mais objetivo e detalhado possível, tente garantir que não falta detalhe algum sobre o personagem nele, para que não haja complicações como conflitos ocasionados pela falta de algum detalhe. Isso ajuda o roteirista a ter o andamento da história em suas mãos, o que é crucial pro sucesso do trabalho.
O briefing deve sempre estar acompanhado do Model-Sheet ou folha modelo em português, é uma serie de desenhos do personagem inteiro e em vários ângulos, e com seus detalhes acentuados. Caso você não saiba desenhar, peça ajuda ao desenhista e discuta com ele sobre o que funciona e o que não funciona no design do personagem. Dá-se ao desenhista do personagem o nome de Character Designer. Ele torna-se assim o co-autor do personagem.
Como diz o roteirista Kazuo Koike de Lobo Solitário e Crying Freeman, o personagem é o que se tem de mais importante para pensar na história. Logo, entende-se que a construção de personagens coerentes, em um ambiente igualmente coerente, facilita a vida do roteirista no desenvolvimento lógico da ação. Não significa que a torna mais previsível, mas sim mais fácil de se manter.
Concentre-se bastante no desenvolvimento e entendimento dos personagens antes de pensar na historia propriamente dita. Fora poucas exceções, essa costuma ser a melhor forma de desenvolver a historia.
E o mais importante: Nunca, em hipótese nenhuma, a história deve guiar o elenco. Mesmo que você a considere brilhante, à prova de falhas e digna de prêmios. Quem deve conduzi-la são todos os que dela fazem parte. Se na versão original, o enredo dizia uma coisa mas dificilmente a personalidade do dito personagem se sujeitaria a isso, mude a história! Não importa o quão perfeita ela seja. Ela ainda envolve seres vivos, sujeitos à falhas e defeitos. E isso só a torna única!















Comments
Primeiro de td é saber se ela tem um enredo interessante ou se se sustenta apenas por personagens cativantes (q no caso, considero a Juno).. isso acabou me dando medo.. Quando comecei a pensar na história eu fui desenhando da mesma forma q ela aparecia na minha cabeça, sem pensar mto se faria sentido ou não, estava mais preocupada em tentar mostrar como as pessoas a sua volta a viam. Na verdade, a história foi baseada nisso, na visão q as pessoas tinham dela, mas q não era nada, pq ela era mto mais do q uma "garota selvagem", e foi a partir daí q se desenvolveram outras coisas. Como por ex. o envolvimento de Daniel no passado dela e com sua família, e partir daí conhecer a verdadeira Juno.
Eu não sei se isso acabou sendo suficiente, parece um tanto quanto simples, e pensando nisso eu vejo qto é importante pensar mto antes de criar uma história!
Bom, me desculpa ficar te importunando com meus assuntos, mas eu achei seu texto super interessante, faz a gente pensar mesmo..
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This bird you cannot change...
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Acredite, você tá no caminho certo. =]
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"Parte da diversão de estar vivo é saber que você está irritando alguém" - Matt Groening
"A grande mágoa da minha vida é nunca ter feito quadrinhos" - Pablo Picasso
obrigada.. eh bom saber q to no caminho certo
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projeto blood school....
o que vc faria se de um dia para o outro todos os valores que foram impostos para vc se destruissem e sobrace apenas o odio de seu inimigo ...
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eu tinha um amigo que manjava pakas de roteiroo ^^ ele escrevia comigoo mass tipooo eu sempre tive ideiass haushsaus daii agora to botando elas no papel e depois de ler esse curso aqui percebi com o eh mais facil depois que vc organiza as ideias parabens
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